HomeExperiências de VidaPapo Reto: Geração B (de Bundão)
Experiências de Vida

Papo Reto: Geração B (de Bundão)

09/04/2016 By: Fernanda Rocha Kanner

 

Deixa eu dizer primeiro que este texto não é uma critica às mães e filhos de hoje, é também uma autocrítica de valores e percepções em que eu, mais frequentemente do que não, também me identifico. Garanto que alguns (muitos?) de vocês também. Obrigada por não fazerem eu me sentir culpada sozinha.

Eu nunca fui uma mãe helicóptero, sondando o filho a cada segundo, invadindo o espaço deles ou impedindo curiosidades da infância por medo da criança pegar ebola ou quebrar o pescoço. Nunca esterilizei uma mamadeira ou chupeta, nunca falei para não se sujarem e nunca abaixei febre.
Consequência?
Nem lembro a última vez em que liguei ou fui ao pediatra. Agora vai pegar aqueles filhos de mães (disse de e não da.. rsrs) que não deixam o bebê colocar coisas alheias na boca e dão antibiótico para tudo… estão sempre ‘ranhentinhos’.

Mas a intenção não é falar de excesso de proteção em puericultura ou imunologia, quesitos dos quais eu me safo (na minha opinião… mães bitoladas por certo me acham irresponsável); e sim, vim falar  sobre a sociedade em que vivemos.
O problema sai do lar e das decisões de pai e mãe e se estendem aos professores, chefes, amigos e um ‘etc’ eterno.

PESSOAL, tudo que falo aqui é GENERALIZADO, portanto não me venham pontuar exemplos de exceções (elas sempre existem, EU SEI, viva a diversidade).

A ideia é criarmos crianças que sejam os desvios da norma. O que quero dizer com isso? Calma, vocês vão me entender!
Parece que hoje sacrifícios, decepções, frustrações, heroísmos e aflições foram substituídos por “valores” como autoconfiança, integridade física e proteção contra (Deus me livreee!) se dar mal. Adianta deixar seu filho escalar até o último galho da árvore se você vai para a escola discutir com a professora de que o seu filhinho lindo Joãozinho (sempre no diminuitivo – proteção excessiva) foi mal na prova e tá chorando por causa da nota!?

Não é que deixamos de criar pessoas rústicas de casca grossa; deixamos de criar adultos competentes. Não poderia ser diferente quando a decisão mais difícil que adolescentes modernos precisam tomar é a cor do iPhone que vão escolher. Hoje as crianças, adolescentes e jovens adultos são em sua maioria aversos a riscos, psicologicamente frágeis e cheios de ansiedades.
Eu digo “são” mas, SIM, eu incluo minha geração e consequentemente: Eu (sim, sou adepta ao sincericídio)!
Não,não penso que seja culpa de nossos pais, é que o MUNDO, e nós MUDAMOS.
Felizmente para muitas coisas, lamentavelmente para outras. A formação do indivíduo é uma delas.

31525_20130503_194912_growing_up_04

O resultado é de jovens adultos prepotentes e ‘bunda moles’, (calma, calma, me incluo nessa) desconectados da realidade.
Responsabilidade, competição e independência passaram a ser virtudes secundárias; atribuídos a “sorte de uma personalidade de ouro”, a mãe se gaba.
Uma geração inteira de pessoas que cresceram com seus sentimentos embrulhados em plástico bolha.  A vida assim se torna asfixiante e desapontadora decorrente das expectativas infladas e do excesso de proteção.

Na escola dos meus filhos (que eu amo; e também estudei quando menor) tem uma competição esportiva onde TODOS os alunos ganham medalhas por participação. Ou seja, a criança pode correr em passos de tartaruga que nem o Forrest Gump e vai pra casa com medalha: OI?
Meus filhos penduram as que ganharam todos os anos no quarto deles, mas a mãe bruxa aqui faz questão de lembrar que não é para ter orgulho de uma coisa que não fizeram nada para conquistar.

Conheço tantos ‘playboys’ por aí que sentem orgulho do dinheiro dos pais. Andam como verdadeiros pavões intitulados.

AHHHHHH…. mesmo conselho não adiantando para nada, fica aqui o meu: Vá trabalhar, criatura! No dia em que VOCÊ ganhar seu primeiro salário num emprego não conseguido por nepotismo, aí sim, estoure um champagne, uma Jurupinga, o que quiser, o dinheiro é seu. E sentirá uma sensação de liberdade, de conquista e de empoderamento que transcende às palavras. Aí sim, você merece, lutou e conquistou. PARABÉNS!!
Se fomos mimados, sorte, benção, amém; MAS não deixe com que isso faça você entrar em choque quando descobrir que, na vida REAL, é SIM, NECESSÁRIO trabalhar para ter dinheiro merecido, para ter INDEPENDÊNCIA. Não importa o que seu pai te disse, você não é uma princesa (ou príncipe).

E não amor, você não pode ser tudo o que você quiser na vida. Meu filho é péssimo em matemática, não adianta querer ser engenheiro. Minha filha é super estabanada e vive topando em todas as quinas; sabe quando vai ser bailarina? Se você nunca passou numa prova de biologia, nunca vai ser cirurgião por mais que assista todos os episódios de House e Greys’ Anatomy. O único jeito de atingir seus sonhos é com TALENTO, COMPROMISSO,  COMPETÊNCIA & UMA BOA DOSE DE ESFORÇO & PERSISTÊNCIA.

O mundo não é cor de rosa. Nada cai do céu. There is no FREE LUNCH.

É bom que eles saibam disso… (& nós também).

 

InspirationalQuotes.Club-seventy-percent-success-life-showing-up-advice-inspirational-Woody-Allen

 

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Descontos