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Amor à primeira vista?

07/12/2015 By: Fernanda Rocha Kanner

Quem aí acredita em amor à primeira vista? Encontrar os olhos de um estranho no outro lado de um lugar lotado, ele te fita, você fita de volta, seguram o olhar por uns segundos a mais e instantaneamente vocês viram aquele emoji apaixonado.

A gente cresce ouvindo histórias de um amor fácil, predestinado; onde a princesa virginal se casa com o príncipe (mesmo se porventura ele seja temporariamente uma fera ou um sapo) e eles vivem felizes para sempre. Que filme não acaba com a cena do casório? Não respondam, minha memória não é lá essas coisas. Mas o ponto é que a Disney nunca mostra o depois, já repararam? Imagina a Cinderella grávida e temperamental com a mão na lombar andando que nem uma pata, arremessando o sapatinho de cristal na cara do príncipe? A Ariel de TPM falando que não aguenta mais e vai voltar paro o fundo do mar e/ou afogar o Eric nele? A Bela mandando o maridão dormir na sala do castelo porque ele chegou em casa trançando as pernas e com bafo de whisky?

E nem precisamos entrar nas fantasias do Walt, basta olharmos gerações nem tão antigas assim. Maioria de nossos avós ficaram ou ficarão juntos até o fim. Muitos casamentos eram arranjados e ninguém os questionava ou era infeliz para o resto da vida por isso. O amor e a cumplicidade vinham depois, com a convivência.

Mas a verdade é que o mundo mudou. Nós mudamos, os papéis se inverteram e as funções incumbidas a um homem e a uma mulher desde Adão e Eva não são mais as mesmas. Mesmo a geração dos nossos pais se casava com vinte e poucos anos e praticamente cresciam juntos. Hoje “viramos gente” antes de pensar em casamento. Nos conhecemos, sabemos quem somos; coisas que não vêm necessariamente com a maturidade, mas com o tempo.

Muitos de nós priorizamos carreira, mesmo que só esteja um pouquinho encaminhada, antes de pensar em unir escovas de dentes com a tentativa do eternamente. Com tantos métodos anticoncepcionais e mulheres no mercado de trabalho, filhos se tornaram planejados. São aspectos ruins para a consolidação de um casamento duradouro? Não, claro que não, são ótimos! Mas mais do que nunca precisamos investir numa amizade antes da entrega. Vide as estatísticas de casais felizes unidos por sites de ‘solteiros procuram’, onde uma pré-seleção de compatibilidade já é feita antes do bate-papo e o primeiro encontro só vem depois.

Porém, junto com essa modernidade toda, nos acomodamos. Quando nossos avós e tatatataravós não tinham TV, eram obrigados a conversar. Hoje não precisamos nem levantar o derrière para ligar o Netflix e assistir uma maratona de Breaking Bad enquanto sua outra metade foca no laptop ao seu lado.

Me julguem, mas sem a obrigação de um casamento, acho que muitos desses olhares 43 resultam mais em uma noite quente do que num casamento duradouro. Se acredito em amor à primeira vista? Meu lado romântico quer achar que sim, mas meu lado adulto prefere acreditar que não; porque minha faceta mulher século XXI acha que amor à primeira vista empata amizade pré-nupcial e confunde isso com amor e paixão – além do que, it’s so last season. 😉

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1 Comentário:Amor à primeira vista?
  1. Maria Rachel Penteado

    Fernanda gostei muito, me recordou quando conheci meu marido…..foi amor à primeira vista…..namoramos, noivamos e casamos , isso tudo há 56 anos atrás. Atualmente vejo que não devia ter casado tão cedo e namorado bastante . Conviver na mesma casa durante anos é desgaste total……ele teve amantes e eu não ou seja só conheci um homem……..O importante é ter maturidade para escolher com quem vamos nos relacionar.

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